As mudanças na tabela ANTT em 2026 exigem atenção imediata.
Desde 2025, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) monitora automaticamente o cumprimento da tabela de frete usando o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT). Se o valor estiver abaixo do mínimo, a multa é aplicada na hora, sem aviso prévio.
Em 2026, esse cenário ficou ainda mais exigente: a Resolução ANTT nº 6.076/2026 revisou a metodologia de cálculo para melhor refletir os custos reais de operação, com um reajuste médio geral de 1,73% nos coeficientes. Quem não atualizar os sistemas corre o risco de trabalhar com valores incorretos.
Neste artigo, explicamos o que mudou, como calcular o piso mínimo correto e o que fazer para evitar multas.
O que é a tabela ANTT?
É o instrumento do governo que estabelece os pisos mínimos obrigatórios de frete para o transporte rodoviário de cargas em todo o país. Essa tabela foi criada pela Lei nº 13.703/2018 e é oficialmente chamada de Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.
A lei surgiu como uma resposta direta à greve dos caminhoneiros de 2018, que deixou o país paralisado por mais de dez dias. Nesse contexto, o Congresso aprovou a legislação e atribuiu à ANTT a tarefa de estabelecer, revisar e fiscalizar os valores da tabela.
A seguir, veja como o cálculo funciona na prática.
Como funciona a tabela de frete ANTT?
A melhor forma de calcular o piso do frete é usar a Calculadora de Frete da ANTT, página oficial com os coeficientes atualizados. Você também pode realizar o cálculo manual seguindo a regra geral: Piso Mínimo do Frete(R$/viagem) = (distância em km × CCD) + CC.
Cada variável da fórmula tem um papel específico:
- CCD (Coeficiente de Deslocamento): valor em R$/km, variável conforme tipo de carga, número de eixos e tabela aplicável;
- CC (Coeficiente de Carga e Descarga): valor fixo em R$, independente da distância. Também varia por tipo de carga, eixos e tabela;
- distância: calculada entre os endereços de origem e destino registrados nos documentos fiscais.
Por exemplo: uma carreta de 5 eixos transportando carga geral por 500 km teria piso mínimo de (500 × 6,7126) + 635,08 = R$ 4.991,38.
Mas há alguns pontos que você deve prestar atenção para fazer o cálculo correto!
Eixos suspensos contam
A Resolução 6.076/2026 eliminou qualquer ambiguidade: todos os eixos da composição veicular devem ser considerados no cálculo, inclusive os suspensos. Ignorar esse detalhe resulta em valores abaixo do piso e risco de autuação.
Pedágio não está incluído
O piso mínimo cobre exclusivamente o frete-peso. Os custos de pedágio devem ser acrescidos separadamente ao valor final do contrato. Um erro comum é incluir o pedágio no valor declarado no CT-e e, ao deduzir esse custo, o frete-peso efetivo cair abaixo do piso, o que configura infração.
Cargas mistas
Se um veículo transportar diferentes tipos de carga ao mesmo tempo, o cálculo do frete mínimo deve ser feito com base na categoria que possuir o maior coeficiente na tabela ANTT de 2026.
Qual é o piso mínimo de frete ANTT em 2026?
Não há um valor único e universal. O valor de cada operação varia conforme o tipo de carga, o número de eixos e a tabela correspondente. A ANTT atualiza as tabelas periodicamente, sendo a mais recente a Portaria SUROC nº 4, de 20/03/2026.
A cada seis meses, a ANTT revisa os coeficientes considerando o IPCA acumulado, o preço médio do diesel S10 e outros insumos operacionais (pneus, manutenção, depreciação). A próxima revisão semestral regular está prevista para julho de 2026.
Além disso, sempre que o preço do diesel S10 oscilar mais de 5% em relação ao valor usado na última tabela, a ANTT é obrigada a publicar uma nova portaria de reajuste extraordinário. Em 2026, o gatilho foi acionado duas vezes em março, o que gerou as Portarias SUROC nº 3 e nº 4 com apenas uma semana de intervalo.
🚨 Atenção: tabelas desatualizadas circulam intensamente na internet. Muitos sites, planilhas e calculadoras não acompanham as atualizações extraordinárias. Sempre verifique a portaria vigente no portal oficial da ANTT ou no Diário Oficial da União.
As 4 tabelas de piso mínimo
Na prática, a ANTT disponibiliza quatro tabelas distintas, organizadas conforme o tipo de contratação e o desempenho operacional:
- Tabela A: contratação da composição veicular completa ou caminhão simples;
- Tabela B: contratação apenas da unidade de tração (cavalo mecânico);
- Tabela C: operações de alto desempenho com contratação da composição completa;
- Tabela D: operações de alto desempenho com contratação apenas da unidade de tração.
Os valores abaixo são os coeficientes vigentes desde 20 de março de 2026, para a Tabela A (operação completa), que é a mais utilizada no mercado:
| Tipo de carga | Coeficiente de custo | Unidade | Número de eixos carregados do veículo combinado | ||||||
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 9 | |||
| Granel sólido | CCD | R$/km | 4,0338 | 5,1660 | 5,8464 | 6,7381 | 7,4408 | 8,0855 | 9,2662 |
| CC | R$ | 444,84 | 533,36 | 576,59 | 642,10 | 656,76 | 792,30 | 877,83 | |
| Granel líquido | CCD | R$/km | 4,1052 | 5,2583 | 5,9955 | 6,9002 | 7,6080 | 8,2192 | 9,4199 |
| CC | R$ | 455,84 | 550,10 | 600,27 | 669,38 | 685,45 | 811,76 | 902,80 | |
| Frigorificada ou Aquecida | CCD | R$/km | 4,7442 | 6,0679 | 6,9216 | 7,9337 | 8,7563 | 9,6471 | 10,9629 |
| CC | R$ | 502,29 | 601,96 | 663,16 | 732,07 | 745,94 | 949,16 | 1.030,58 | |
| Conteinerizada | CCD | R$/km | 5,1397 | 5,7767 | 6,6765 | 7,3776 | 8,0832 | 9,1859 | |
| CC | R$ | 526,13 | 557,42 | 625,16 | 639,38 | 791,67 | 855,76 | ||
| Carga Geral | CCD | R$/km | 4,0031 | 5,1295 | 5,8178 | 6,7126 | 7,4124 | 8,1252 | 9,2466 |
| CC | R$ | 436,39 | 523,33 | 568,72 | 635,08 | 648,95 | 803,22 | 872,44 | |
| Neogranel | CCD | R$/km | 3,6028 | 5,1281 | 5,8441 | 6,7126 | 7,4124 | 8,1252 | 9,2466 |
| CC | R$ | 436,39 | 522,93 | 575,96 | 635,08 | 648,95 | 803,22 | 872,44 | |
| Perigosa (granel sólido) | CCD | R$/km | 4,7775 | 5,9193 | 6,6352 | 7,5269 | 8,2296 | 8,8919 | 10,0803 |
| CC | R$ | 587,98 | 679,12 | 727,28 | 792,80 | 807,45 | 947,84 | 1.035,49 | |
| Perigosa (granel líquido) | CCD | R$/km | 4,8611 | 6,0237 | 6,7649 | 7,6697 | 8,3775 | 9,0063 | 10,2147 |
| CC | R$ | 610,96 | 707,85 | 762,95 | 832,06 | 848,13 | 979,29 | 1.072,44 | |
| Perigosa (frigorificada ou aquecida) | CCD | R$/km | 5,3315 | 6,6676 | 7,5371 | 8,5492 | 9,3718 | 10,2855 | 11,6113 |
| CC | R$ | 609,31 | 712,41 | 780,02 | 848,93 | 862,80 | 1.072,32 | 1.156,49 | |
| Perigosa (conteinerizada) | CCD | R$/km | 5,5109 | 6,1835 | 7,0832 | 7,7843 | 8,5076 | 9,6180 | |
| CC | R$ | 623,38 | 659,60 | 727,35 | 741,56 | 898,70 | 964,90 | ||
| Perigosa (carga geral) | CCD | R$/km | 4,3647 | 5,5008 | 6,2246 | 7,1193 | 7,8191 | 8,5496 | 9,6787 |
| CC | R$ | 531,01 | 620,58 | 670,91 | 737,27 | 751,14 | 910,26 | 981,58 | |
| Carga Granel Pressurizada | CCD | R$/km | 7,0646 | 7,8089 | 9,7697 | ||||
| CC | R$ | 731,90 | 757,99 | 1.016,29 | |||||
Piso correto? Próximo passo: uma contratação sem erro. Saiba como escolher motoristas profissionais para a sua frota.
Como funciona a tabela ANTT por tipo de carga?
Cada categoria tem coeficientes próprios, pois os custos operacionais variam. A carga geral serve de base. A frigorificada fica acima devido ao custo contínuo do sistema de temperatura. As categorias perigosas são mais altas para cobrir a habilitação MOPP (curso obrigatório para transporte de produtos perigosos), sinalização e risco operacional.
Por isso, antes de calcular o frete mínimo, sempre consulte a tabela ANTT por tipo de carga e identifique corretamente a sua categoria. Veja as definições de cada uma abaixo.
Cargas convencionais
O coeficiente base da tabela de frete ANTT. Carga geral, neogranel e conteinerizada compartilham valores próximos de CCD e CC.
- Carga geral: mercadorias diversas em unidades independentes, com tamanhos, pesos e formatos variados, com ou sem embalagem. É a categoria mais comum no transporte rodoviário;
- Neogranel: mercadorias com certo grau de padronização transportadas em lotes contínuos, mas carregadas e descarregadas peça a peça ou em pequenos fardos, sem embalagem única;
- Conteinerizada: mercadorias acondicionadas em contêineres metálicos padronizados, independentemente do conteúdo. A padronização facilita a integração com outros modais.
Granel
Coeficientes próximos ao da carga convencional, com variações por tipo de produto e equipamento de movimentação.
- Granel sólido: mercadorias transportadas soltas no compartimento de carga, sem embalagem ou acondicionamento individual;
- Granel líquido: produtos no estado líquido movimentados por bombas e dutos ou carregados em tanques próprios;
- Granel pressurizada: gases e líquidos que exigem tanques com vedação e pressão controlada para manter o estado físico da carga ou garantir segurança no transporte.
Temperatura controlada
Coeficiente mais alto que o da carga convencional, pois o sistema de refrigeração ou aquecimento opera continuamente, mesmo com o veículo parado.
- Frigorificada ou aquecida: cargas que dependem de controle contínuo de temperatura, positiva ou negativa, para não deteriorar. Requerem veículo com unidade de refrigeração.
Esse tipo de carga tem regras específicas e pouca margem para erro. Entenda melhor o transporte de cargas refrigeradas.
Perigosas
Coeficientes mais altos da tabela ANTT. O cálculo desses valores por quilômetro rodado incorpora o custo do curso de Movimentação Operacional de Produtos Perigosos (MOPP), a sinalização dos painéis de segurança/rótulos e o fator de risco operacional.
- Carga geral: produtos com características físico-químicas que representam risco à saúde, à segurança ou ao meio ambiente, transportados em unidades individuais embaladas;
- Granel sólido: produtos sólidos a granel com características físico-químicas que representam risco à saúde, à segurança ou ao meio ambiente;
- Granel líquido: une o transporte a granel sem embalagem com os requisitos severos de produtos de alto risco;
- Frigorificada ou aquecida: combina as exigências de carga perigosa com controle de temperatura. A mercadoria precisa tanto de equipamento térmico quanto dos protocolos de segurança química;
- Conteinerizada: cargas perigosas acondicionadas em contêineres, sujeitas às normas de risco e às exigências de fixação de contêiner.
Especiais
Fora da tabela de frete ANTT padrão. O piso mínimo não é calculado pelos coeficientes das Tabelas A a D.
- Cargas indivisíveis: equipamentos de grande porte, estruturas metálicas e transformadores exigem Autorização Especial de Trânsito (AET) da ANTT. O valor do frete é negociado caso a caso com base nos custos reais da operação.
Agora que você já compreende tudo sobre a tabela, vamos ao que está em jogo: quais são as multas por não cumprir o piso mínimo?
Quais são as multas por descumprimento da tabela ANTT?
Desde 2025, a ANTT bloqueia automaticamente a emissão do CIOT quando o valor está abaixo do piso. Sem o código, o frete não pode ser formalizado. Ou seja, contratar abaixo do piso mínimo equivale a operar sem CIOT, com multa de R$ 10,5 mil por operação.
As multas da ANTT também podem ir de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões para contratantes reincidentes em operações irregulares.
Além disso, também há o risco de suspensão do RNTRC de 5 a 30 dias para transportadoras com mais de três autuações em seis meses, podendo chegar ao cancelamento definitivo por dois anos em caso de reincidência.
Aliás, o Transportador Autônomo de Cargas (TAC) que aceita frete abaixo do piso pode reclamar a diferença judicialmente por até 5 anos. Ou seja, uma operação irregular hoje pode virar uma ação trabalhista ou cível no futuro, com correção monetária e juros.
Por fim, para evitar qualquer um desses riscos, veja seus próximos passos!
O que o gestor de frotas precisa fazer para cumprir a tabela ANTT 2026?
Estes devem ser seus próximos passos:
- Atualizar as tabelas de CIOT e CT-e para evitar bloqueios automáticos por valores abaixo do piso;
- Revisar e ajustar contratos de motoristas autônomos para alinhá-los ao novo piso;
- Utilizar somente a calculadora oficial de frete, pois as terceirizadas podem estar desatualizadas;
- Acompanhar o preço do diesel. A próxima revisão semestral regular está prevista para julho de 2026, porém revisões extraordinárias não têm data marcada.
A tabela ANTT é a base legal do transporte rodoviário de cargas, e operar fora dos limites estabelecidos ficou mais caro do que nunca. Com a fiscalização automatizada via CIOT, não há margem para erro.
Para transportadoras que precisam organizar o controle de conformidade, um sistema de gestão de multas é a escolha ideal para monitorar autuações, acompanhar prazos de recurso e manter a documentação em dia.
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Perguntas frequentes
A tabela ANTT é obrigatória para todos os fretes?
Embora defina os pisos mínimos para o transporte remunerado no Brasil, a legislação não se aplica a todos os tipos de frete. A norma faz exceções para o transporte de carga própria, fracionada e a contratação de TAC-agregado (motorista com contrato de exclusividade e remuneração fixa).
O pedágio está incluído no piso mínimo de frete ANTT?
Não, o pedágio não faz parte da tabela ANTT. O piso mínimo cobre apenas os custos operacionais e a remuneração do motorista. Isso porque o pedágio varia conforme a rota, o que distorce o cálculo. Segundo a Lei do Vale-Pedágio, essa despesa é do embarcador, que deve pagá-la antecipadamente.
Com que frequência a tabela ANTT é atualizada?
A ANTT atualiza a tabela semestralmente, com publicação prevista nos meses de janeiro e julho. No entanto, por determinação legal, ocorre um reajuste extraordinário sempre que o preço do diesel S10 registrar variação, para cima ou para baixo, superior a 5% em relação ao último reajuste.
O que acontece se o CIOT for emitido com valor abaixo do piso mínimo?
O sistema bloqueia automaticamente a emissão do CIOT. Não é possível gerar o código se o frete estiver abaixo da tabela obrigatória, o que impede a regularização do MDF-e e o início do transporte. O contratante estará sujeito a multas de R$ 10.500 por operação irregular.




